A missão hoje, dia da independência, era ir até o Museu do Holocausto, o Yad Vashem (יד ושם), passear o máximo possível pela Cidade Velha e comprar mantimentos. Todos nos avisaram que, do pôr-do-sol do Dia da Independência até o pôr-do-sol seguinte, absolutamente nada abriria.
Não acordamos muito cedo, mas por volta das 10h já estávamos a caminho do ônibus para o Museu do Holocausto. Antes, paramos numa confeitaria/café que tem por aqui, chamada Sambooki. Tem pães, biscoitos e lanches deliciosos. E precinhos de locais. Um amigo sugeriu a Aroma, mas eu preferi a Sambooki, que tinha em todo canto. E era mais gostoso!
Dali da Bem Yehuda, pegamos um ônibus, que custou 6.40 shekels, e seguimos em direção ao Museu. No caminho, deu 11 horas. E, assim como no dia anterior, tudo parou, em homenagem aos mortos para a construção e manutenção do Estado de Israel. Agora, por dois minutos. Todos no ônibus se levantaram, todos os carros pararam, pessoas que atravessavam a rua pararam, tudo parou, enquanto a sirene soou por todo o país… Impressionante!
Ao longo do caminho, também passamos pelo cemitério do Monte Herzl, onde milhares de pessoas prestavam suas homenagens aos entes perdidos e a figuras políticas, como Theodor Herzl, fundador da ideia moderna do Sionismo. Ali também estão militares mortos em serviço e ex-líderes de estado, como Golda Meir e Yitzhak Rabin. E todos os visitantes traziam adereços com a bandeira de Israel ou a estrela de David.
Mais adiante, descemos e andamos um pouco. Para chegar ao Museu do Holocausto, há uma van que sai de 15 em 15 minutos, já que o caminho é longo. Na entrada, uma surpresa: não era absolutamente nada daquilo que eu imaginava. Eu e Simone vimos museus do Holocausto em vários países, e todos são, senão solenes, tristes, dramáticos. Aqui é diferente. É solene e grave, sim, mas tem uma aura de esperança, com uma área verde irrepreensível, prédios baixos, compridos, arejados, tudo muito claro e, a despeito do tema do museu – o maior exemplo da crueldade humana – todos sorriem e são simpáticos. Um belo exemplo do clichê ‘a vida continua’.
O Yad Vashem é impressionante. Muitos pró-árabes acham tendencioso. Eu, como não tenho nenhuma antipatia a nenhum dos povos, achei rigorosamente fiel aos fatos. Tem a cronologia, tem o contexto histórico, tem interatividade, tem objetos que te fazem sentir no local, na época. Choca? Sim, choca. É muito doloroso ver, às vezes, como a estupidez humana não tem absolutamente limites. Há uma sala enorme, clara, parecida com algo espacial, onde estão guardados os registros dos milhões de mortos vítimas da estupidez em um inacreditável paredão de livros. Muitos sequer tiveram suas mortes contadas. Suas vidas foram sinistramente apagadas da História. Até então, milhões de mortos tinham um sentido etéreo para mim. Agora, tudo se tornou concreto. Aquilo realmente aconteceu.
Mas também é bonito ver, ao fim, exemplos de pessoas boas, que arriscaram suas vidas para salvar outras pessoas. Suas histórias são contadas em galerias e no ‘Jardim dos Justos. Ali, todos os heróis que ajudaram a salvar vidas durante a época sombria, têm árvores em sua homenagem. O mais famoso – e mais emocionante – é sem dúvida Oskar Schindler. Me senti muito honrado em estar diante da árvore em sua homenagem e à sua esposa. Para mim, é um dos grandes homens que jamais existiu.
Andando ainda pelo Yad Vashem, você tem exposições temporárias e vistas lindíssimas de Jerusalém e do verde que circunda o Monte Herzl. Um lugar de muita paz e reflexão. É muito bacana ver também as placas que homenageiam os judeus sobreviventes dos Campos de Concentração que vieram para o Brasil. Sem dúvida, dá uma impressão de que nosso país é a segunda casa de boa parte da população desse planeta.
Para o Yad Vashem, separe um bom pedaço de seu dia. Qualquer coisa entre quatro e seis horas seria suficiente para uma boa visita e uma das maiores aulas de História que você vai ter.
Dali, negociamos com um taxista para que ele nos levasse ao Knesset – o famoso parlamento israelense, sede do poder do país. Estamos cansados de vê-lo pela televisão, com a menorá de concreto e o brasão israelense a seu lado. Infelizmente, não havia visitas guiadas hoje. Mas pudemos passear bastante pela área.
Dali, voltamos para nossa velha Cidade Velha. Estávamos com um pouco de fome, então Simone comeu uma massa no Mozzarella e eu comi um pita falafel no Schwarma HaRova, ambos ficam na Tiferet Israel, no quarteirão judeu. Praticamente um em frente ao outro. Ali tem ainda um Holy Bagel e um Burgers Bar, todas boas e baratas opções para comer bem. E legal é no fim da tarde, quando a juventude ortodoxa para ali para lanchar e fazer farra.
Dali, fomos para o Muro das Lamentações. Ao contrário do dia anterior, hoje pudemos passar muito tempo ali. Fomos lá, pensamos na vida, pusemos nossos papéis… É um lugar muito interessante, com uma energia muito de paz. Os homens e mulheres têm pedaços separados do muro. Se você não for judeu – como eu – deve pegar um kipá (aquele chapéu que os judeus usam) para cobrir a cabeça. Os judeus são chamados ainda para orar dentro de uma caverna. Passamos muito tempo ali.
Na volta, também paramos para ver a Menorá de Ouro que fica na saída ao sul do Muro, subindo as escadas. Com 43kg de ouro e 2 metros de altura, é uma réplica daquela que teria existido durante a época do Terceiro Templo. Muito interessante e bonita.
Ainda tivemos tempo de passar pela Via Dolorosa mais uma vez. Percorremos algumas estações e, em seu início, no Mosteiro da Flagelação, pudemos ver um grupo de fiéis espanhóis reencenando o trajeto, com uma enorme cruz, inclusive. Seguimos eles por algum tempo. A gente fica com uma impressão de que a fé realmente é uma coisa incrível.
Ao fim da noite, vimos o enorme mosaico de luzes com a bandeira de Israel, em frente ao portão Jaffa. Dali, como já tínhamos comprado nossos suprimentos – pães, um enorme bagel de queijo de cabra com molho pesto e suco – partimos para casa para dormir.
Ledo engano. No dia da independência de Israel, há uma grande festa em Jerusalém. Onde? Na Praça Zion. Exatamente EM FRENTE ao nosso quarto. Ou seja, dormir era missão impossível. Além do mais, nosso hostel havia sido tomado por policiais, agentes do Mossad, militares, todo mundo fez um bunker no quarto vizinho. Curtimos um pouco a festa, mas fechamos a janela e, por volta das 3h, tudo cessou e, enfim, conseguimos dormir.
Dicas do dia:
- Chegue cedo ao Yad Vashem, o Museu do Holocausto, e pegue um audioguia
- Preste atenção às placas pelos caminhos do Yad Vashem
- Árvore para Oskar Schindler: fica no fim do jardim, quase na lojinha de souvenires, à esquerda de quem sai
- Na volta, pare no Knesset. Se puder, agende uma visita com antecedência
- Comida boa tem no Quarteirão Judeu, na rua Tifferet Yisrael
- Vá à Cidade Velha e ao Muro das Lamentações à noite. É inesquecível
































Como vcs são sortudos pela magnífica oportunidade de ir à Israel.
Eu vou um dia, com certeza.
Ah, sortudo nada, a gente não ganhou na loteria! =))) Foi suado, mas fomos lá. E tenho certeza que vc vai tb, Vanessa, em breve!
Abraços!!!