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Por dentro de Israel: Afula, Haifa, Nazaré e Jardins Baha'i

Pois bem, dia 13 de maio. Preparamos o café e pegamos um táxi para a rodoviária de Jerusalém. Sexta-feira, cedinho, parecia algum tipo de feriado. Até as 8h30, pouca coisa estava aberta. Suamos, mas conseguimos achar um táxi. Custou uns 20 shekels até o terminal. Para entrar lá, uma rigorosa inspeção: raios-x, abertura de bagagens… E muitos e muitos militares por lá. Achamos o guichê e compramos nossa passagem para Afula, onde iríamos encontrar nossa amiga Lior Geller, que mora em um kibbutz na região e iria nos levar para passear em Nazaré e Haifa.

O bilhete para Afula custou 31 shekels por pessoa. E foi difícil achar nossa plataforma, já que ali tem pouca coisa em inglês e nosso hebraico continua meio devagar. Pegamos um ônibus legal, confortável, que saiu exatamente no horário. Ônibus em Israel só atrasam por algum motivo grande. Se você estiver na plataforma e o ônibus estiver manobrando, esqueça. Ele não vai parar ou voltar para você. Seja pontualíssimo.

Pelo caminho, paisagens espetaculares. Um panorama das cidades, montanhas, deserto, construções interessantíssimas, instalações militares, prisões – muitas delas mais parecidas com hoteis no Brasil – e uma alternância interessante entre cidades árabes e cidades judias.

Uma hora e meia depois, chegamos na rodoviária da pequena Afula, quase no norte de Israel. Mais soldados – possivelmente todos foram liberados dos quartéis para passar o shabbat em casa, com as famílias. Descemos e encontramos a Lior por lá. Partimos então para Nazaré, cidade árabe que tem a catedral de Nossa Senhora, e também lugar de onde teria saído Jesus Cristo. Ali, pouquíssimos judeus e muitos católicos em peregrinação, em meio a um mundo de comércio e vida árabe.

Muitas vezes perguntávamos aos árabes, como era a relação deles com os judeus e os católicos. Preconceitos e eventuais ódios postos de lado, todos respondiam sempre que, acima de tudo, estava a vontade de fazer ‘business’. Há ainda a categoria dos judeus ortodoxos que, como nos explicou a Lior, são uma categoria à parte. Não participam do estado de Israel e muitos são até contra. Não respeitam as instituições e vivem de estudar a Torá, a bíblia de acordo com o judaísmo. Vivem em pequenos apartamentos, têm muitos e muitos filhos, não encaram ninguém nos olhos e, em alguns casos, são hostis. Assim vivem esses mundos tão distintos, em um pedaço de terra tão importante para praticamente todo homem de fé desse planeta.

Nossa Senhora e Jesus - versão chinesa  Nossa Senhora e Jesus - versão thai

Bom, em Nazaré, entramos na catedral, vimos as homenagens à Maria, feitas por católicos de todos os países. Interessante notar que, na versão chinesa, Jesus e Maria são chineses, com olhinhos puxados. Na tailandesa, têm feições e trajes típicos tailandeses. Prova que a fé independe da ciência ou de qualquer imagem que tentem imprimir do messias nazareno…

Dentro da basílica de Nazaré  Mosaico de Nossa Senhora em homenagem ao maior país católico do mundo...

De lá, partimos para Haifa, importantíssima cidade no norte do país, com um porto absolutamente enorme. Lá, iríamos conhecer os Jardins de Baha’i, uma espécie de seita que simplesmente não admite judeus. Durante o caminho, a Lior foi nos explicando que, sempre que Israel entra em uma guerra, Haifa é severamente bombardeada, como pelo Líbano, uns anos atrás. Tal fato obrigou as autoridades a criarem uma lei determinando que toda nova construção deveria ter uma espécie de quarto-bunker. Quando as sirenes soam e um foguete está perto de atingir a cidade, é hora de correr para o abrigo.

Chegando aos Jardins de Baha'i  Vista para o porto de Haifa do estágio 1

Apesar de ser uma escada, várias partes dos Jardins ficam fechadas sempre  Placa dos Jardins de Baha'i

Os Jardins de Baha’i se estendem pela principal montanha de Haifa e são uma visão absolutamente esplendorosa. Com um tratamento impecável, palácios ao longo da colina e um colorido de flores inacreditável, é realmente um sonho. Mas, se você planeja visitá-lo, programe-se. Eles têm horários muito curtos, não abrem todos os dias, fecham para almoço, enfim, um problema. Conseguimos, porém, entrar em alguns de seus setores. E, sobretudo do topo, a vista é de tirar o fôlego: toda a cidade e as cidades vizinhas a nossos pés. Instalações da marinha, o azul incrível do Mediterrâneo, os jardins, estendidos como um tapete até o chão. Enfim, um lugar para parar, apreciar, e curtir. Vale muito a visita!

No segundo estágio. Ou voc6e vai de ônibus, ou de carro  Um lugar inacreditavelmente bonito e bem cuidado

Os jardins estão todos impecáveis  E dá uma vista incrível para toda a cidade de Haifa

Com o Mediterrâneo ao fundo...

De lá, como já estávamos perto do pôr-do-sol, partimos para conhecer um kibbutz Beit-HaShita, onde mora a nossa amiga Lior. Antigamente, os kibbutz eram estruturas auto-sustentáveis, praticamente ilhas de comunismo, onde todos trabalhavam em prol do coletivo. Muitos e muitos estudantes, ao longo das últimas décadas, se aventuraram nesses campos israelenses. Mas, nos últimos anos, a estrutura foi ficando onerosa demais para o governo e perdeu seu sentido. Na estrutura tradicional, hoje existem apenas dois ou três. A maioria se aproxima do modelo de microcidades ou mesmo condomínios.

Antes de chegar no kibbutz, a Lior nos levou para mais um lugar de sonho. Uma montanha chamada Gilboa, de onde tivemos uma das vistas mais estonteantes da nossa vida. Os campos israelenses, as montanhas da Jordânia, o deserto e um céu incrível, já ensaiando um espetacular pôr-do-sol. Lugar de turismo praticamente zero, um presente da Lior para a gente.

Vista da Montanha Gilboa, em Afula  O kibbutz e as montanhas da Jordânia ao fundo

Antiga torre de vigia, para monitorar as ações jordanianas  Infelizmente, hora de ir para casa...

Depois, conhecemos um pouco da estrutura do kibbutz, com a indústria, a produção de leite, carne e outros produtos. Tivemos um delicioso jantar de shabat, com toda a família Geller, preparado pelo chef que a família tem. Absolutamente nota 10, com destaque especial para os pães preparados por lá. O pão de azeitona estava inacreditável!

Bom, dormimos um pouco, já que teríamos que estar em Telaviv, no aeroporto Ben Gurion, por volta das 3h da manhã. A Lior, que é uma santa, nos levou até lá em plena noite de shabbat, quando seria praticamente uma missão impossível conseguir transporte. Só temos a agradecer a nossa amiga, que nos mostrou um bocado de seu país e como os israelenses são legais e hospitaleiros!

Sair de Israel é tão difícil quanto entrar. Chegue MUITO cedo para seu vôo. Há uma fila enorme para entrar no aeroporto e você responde a um enorme questionário sobre sua estadia e sobre sua bagagem. Muito cuidado com as respostas. Dependendo, você pode ser forçado a abrir toda sua bagagem e mostrar peça por peça para os policiais, isso além das maiores e mais potentes máquinas de raios-x de aeroporto que eu já vi na vida. Tente não perder a paciência e lembrar que isso tudo é para nossa segurança e para que o Estado de Israel continue existindo.

Depois dessa rigorosidade toda, é hora de, enfim, deixar a Terra Santa de volta para Portugal, com uma rápida escala em Istambul. Gostamos muito de Israel, que foi catapultado a um dos nossos lugares favoritos, tanto pela hospitalidade do povo quanto pela organização do país. Ideologias à parte – e seja você contra ou a favor – Israel é maravilhoso para turismar. Recomendo fortemente!

Dicas do dia:
- Viaje de ônibus por Israel. É barato, bonito e rápido. Mas chegue SEMPRE antes do horário
- Não deixe de conhecer Haifa e os Jardins Baha’i
- A saída de Israel pelo aeroporto é tão complicada quanto chegar. Chegue cedo e cuidado com as perguntas
- Nos ônibus e rodoviárias, MUITO cuidado com suas mochilas. Tenha elas sempre perto
- Nos supermercados de Israel se vende guaraná. Mate a saudade!

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