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Telaviv, primeiro dia em Jerusalém e Dia da Memória

Domingo, o objetivo era chegar em Jerusalém. Mas antes, dar um pulo na praia e relaxar um pouco. O tempo não ajudou muito, mas mesmo assim acordamos e demos uma descansada nas areias. Andamos mais um pouco pela Ben Yehuda, mas estava quase tudo fechado, em função do feriadão da independência.

Na hora do check-out, por volta do meio-dia, batemos um papo com o gente boa Shlomo, dono do Sea Land Apartments, onde ficamos, que nos deu dicas do que fazer em Jerusalém, quais day tours fazer.

Para chegar em Jerusalém, a ideia era pegar um táxi até a rodoviária e, de lá, pegar um sherut para nosso destino. Sherut são as vans israelenses, amarelinhas e sempre pilotadas por um malandrão. Saímos do apartamento e pegamos um taxista gente boa. Enfim, um salvou. Logo que dissemos a ele que iríamos para a rodoviária, pegar um sherut para Jerusalém, ele se ofereceu para fazer a viagem. Negocia para lá, barganha para cá, fechamos o preço: 300 shekels, coisa de US$ 85 por uma viagem de 1 hora e meia, pé embaixo, da porta do nosso apê em Telaviv até a porta do nosso hostel em Jerusalém. Caro, admito, mas muito cômodo.

O mercedão do nosso taxista bateu uns 120km/h fácil. Enquanto ele ia tentando explicar coisas da bíblia em búlgaro e em inglês, íamos vendo os restos dos comboios militares históricos dos israelenses que lutaram na guerra da independência e dos que tomaram Jerusalém em 1967. Eles ficam nessa estrada como uma memória dos conflitos.

Jerusalém é impressionante. Uma loucura. Essa foi nossa primeira impressão. Descemos na praça Zion, o coração da cidade, e ficamos no Jerusalém Hostel. Não era lá muito bom, mas a localização é excepcional. Deixamos as coisas no quarto e partimos para a Cidade Velha. Mas antes, uma dica dourada: estávamos morrendo de fome e não queríamos perder tempo e dinheiro.

A menina do hotel nos recomendou o Pasta Basta (פסטה בסטה). Fica no mercadinho da rua Yafa, altura do número 100. Você vai ver as ruelas, entre numa delas e vá até o fim. Lá, vai ter uma ruazinha à direita, pequena. Vire nela e vire à esquerda. É um simpático restaurantinho, barato, gostoso e farto. A pedida da viagem! Qualquer coisa, basta perguntar que vão te apontar.

Satisfeitos com a massinha, fomos entrar na Cidade Velha pelo Portão de Jaffa é uma coisa emocionante. Enfim, estávamos no centro do mundo, de onde saíram praticamente todos os dogmas das civilizações modernas. O rabino, o ortodoxo, o muçulmano, o católico, o ortodoxo, o armênio… Todas as religiões estão naquele retângulo fortificado de quase 1 km quadrado.

O lugar começa impressionando já com esta placa

Primeira vista da Cidade Velha Placas da Cidade Velha em 3 línguas

Entrada da Igreja do Santo Sepulcro Pedra da Unção, onde o corpo de Jesus foi preparado para o enterro por José de Arimateia

Andamos bastante, sem mapa, só fuçando mesmo. Caímos na Igreja do Santo Sepulcro, que é impressionante – embora mais impressionante seja a fé das pessoas – e passamos pelos mercadinhos árabes.

Capela de Santa Helena Em frente à tumba de Cristo, com a multidão atrás

Pantokrator - o mosaico no teto da Igreja Altar da Crucificação, onde está um pedaço do Calvário

Pequena polonesa em seu momento de fé Velário ao lado da tumba de Jesus Lustre impressionante no alto da Igreja do Santo Sepulcro

Um dos lugares onde Cristo teria morrido Tumba de Cristo, com a multidão atrás

Chegamos, enfim, ao Muro das Lamentações. Mas ele estava parcialmente interditado, pois mais tarde políticos estariam ali para algumas cerimônias de comemoração da independência. De qualquer forma, foi absolutamente emocionante.

Saímos pelo quarteirão judeu, que foi totalmente reconstruído após ser deixado em ruínas durante a guerra de 1967, andamos pelas estações da Via Dolorosa – caminho percorrido por Cristo após sua condenação – e saímos pelo quarteirão armênio, de volta ao Portão de Jaffa, onde vimos o sol se pôr atrás da Torre de Davi.

Pelos corredores do quarteirão judeu A prisão de Cristo

Placa indicando uma das ruas mais famosas do mundo Sexta estação, quando Veronica limpou o rosto de Cristo

A quinta estação da Via Dolorosa, quando os romanos mandaram Simão Cireneu carregar a cruz de Cristo Sexta estação, quando Veronica limpou o rosto de Cristo

O Muro das Lamentações Pelas ruas do quarteirão armênio, o menor de todos

Pôr-do-Sol atrás da Torre de Davi

Queríamos chegar cedo em casa. Afinal, hoje era o famoso Yom Hazikarom, ou Remembrance Day, quando os judeus param tudo o que estão fazendo, precisamente às 20h, quando soam sirenes por todo o país, para lembrar os mortos durante todas as guerras e ataques no país. O Yom Hazikarom não tem dia certo, ele acontece de acordo com o calendário judeu, no quarto dia do mês Iyar

Então, às 20h, estávamos na varandinha de nosso quarto, na rua Yafo, de cara para a praça Zion. Quando soaram as sirenes, todo mundo parou. Impressionante. Os motoristas saem dos carros, as pessoas param no meio das ruas, impressionante! Somente os árabes e os judeus ortodoxos não respeitam o Yom Hazikarom. Foi uma coisa muito inesquecível, a determinação e o respeito que os israelenses têm pelo seu país, sua religião e sua história. Depois disso, só nos restava dormir.

Dicas do dia:

- Apês legais e baratos em Telaviv: Sea Land Apartments, falar com o Shlomo
- Telaviv -> Jerusalém: ou de sherut ou de táxi. De táxi, entre US$ 80 e US$ 90 é justo
- Jerusalém: ficamos no Jerusalém Hostel, mas é bem fuleiro. Recomendo pela localização
- Pasta Basta, no mercadinho da Jaffo: massas deliciosas, fartas e baratas
- Passear sem rumo pela Cidade Velha
- Ficar chocado com os israelenses no Yom Hazikarom

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Os encantos de Telaviv e da velha Jaffa

No sábado, depois de dormir sério, saímos por volta de 11h. Fizemos uma listinha com top de Tel Aviv: Jaffa, Azrieli Center, Rua Allenby, a praça Rabin, a rua Dzingof e a Shalom Tower. Da nossa rua, a Ben Yehuda, pegamos a Ben Gurion boulevard e saímos na Praça Rabin. Muitas famílias curtiam o shabat ali, mas não havia nada de interessante. Destaque para o lugar onde o ex-premiê foi assassinado, em 1995. Momento tenso quando, ao chegar ali, um segurança me viu de mochila e ficou me seguindo com os olhos todo o tempo. Mochila aqui = ameaça em potencial. Fique esperto.

Praça Ytzhak Rabin Praça Ytzhak Rabin, preparada para o Dia da Independência

Praça Ytzhak Rabin Praça Ytzhak Rabin

Praça Ytzhak Rabin

Dali, pegamos a Frishman e viramos na fashion rua Dzingoff. Tudo estava fechado pelo shabat, mas deu pra ter uma ideia de preços e da moda local. No fim das contas, ainda bem que estava fechado. Ou teríamos tido um baita prejuízo…

Seguimos pela Dzingof, passando por uma praça suspensa muito legal, pelo Mann Auditorium e chegamos ao shopping Azriely. Nosso objetivo era a torre, com 189 metros e 49 andares. Do alto, uma baita vista para a cidade. Custou 22 shekels para subir. Lembro que aqui tudo tem desconto para estudante e, se você por acaso for jornalista e tiver a carteira internacional, tudo sai praticamente de graça.

Vista do Azrieli Center Vista do Azrieli Center

Azrieli Center

Do alto da Azrieli, Tel-Aviv se mostra pequena – são 400 mil habitantes em quase 52 mil metros quadrados, a população de Niterói ou de Santos, mas a metade do tamanho da primeira e 1/5 da área da segunda. Você vê os limites urbanos, a velha Yaffo ao sul, o porto ao norte e até o início do deserto.

Vista do Azrieli Center Fotógrafo trabalhando no Azrieli Center

Depois de contemplar a vista por ali, pegamos um táxi até Yaffo, a cidade velha. Novamente, um taxista malandro. Coincidentemente, outro búlgaro… Partiu sem taxímetro. Eu mandei que ligasse, ele fingiu que não era com ele, mas ligou. E ainda debochou, perguntando se eu tinha pedido algo. Bom, deu cerca de 50 shekels até a rua principal.

Para todos os efeitos, 1 dolar vale 3,3 shekels ou R$ 1,5. Fica fácil na contabilidade. Bom, descemos em frente à torre do relógio e começamos a subir pelas ruazinhas. Muitos e muitos turistas por aqui. Yaffo é bem bonitinha e suas ruas principais e vielas também. Mas basta sair um pouco do circuitão que a coisa fica um pouco tensa, com gente estranha te olhando, casas velhas, umas espécies de favelas. Voltamos para a trilha. Subimos até a velha Yaffo, que tem uma vista deslumbrante para o mediterrâneo, a praia de Israel e várias construções de vários séculos. Destaque para um farol com detalhe otomano, para o Abrasha Park, com o portão da Fé, acho. Mas andar por aqui é muito gostoso, especialmente num dia bonito como o que fez hoje – com uma temperatura duns 25 graus, um ventinho, mas um céu azul, azul.

Minarete da mesquita Al-Bahr, na velha Jaffa Árvore sem raízes

Tirando uma soneca no Abraxas Gate, com a praia ao fundo Alto da Velha Jaffa

Abraxas Gate

Descemos e achamos um restaurante simpático, que servia um peixão bonito e um monte de salada e pasta. Custa 80 shekels por cabeça, dá uns R$ 40 reais. Sentamos e nos fartamos. Um peixe enorme, delicioso, feito na lenha, muito bom mesmo. Para comer e sair rolando. E as pastinhas, e a salada, até a beterraba temperada estava ótima. O endereço vou ficar devendo, já que está tudo em hebraico. Depois ponho aqui.

Nosso almoço. Fiquei devendo o nome... Nosso almoço. Fiquei devendo o nome...

Ali naquela área é difícil achar algo baratex. Esse que fomos parecia ser bem roots. Só tinha israelense, famílias, casais, um bocado de gente falando alto, bebendo, enfim, de turistas, só nós. Foi até difícil comunicar com o dono. Tem uns outros também, como o Abu-Hasan, o Dr. Shakshuka ou o Puah café, mas, além de caríssimos e nem tão fartos, ainda íamos ter que aturar a turistada. E nós, como turistas pobres, odiamos lugares de turistas!

Depois do rango, resolvemos caminhar pela praia até nossa casa. Dá uns 3, 4km, pouco menos de 1 hora andando. Mas com o solzinho gostoso e o ventinho bom, foi fácil. Vimos a juventude telaviviana, os points na praia: tinha surfista, wind, os descolados, a turma da fumaça, os yuppies, as famílias, os farofeiros, o ‘matkot’… Praia pra todo mundo. Mas dá pena ver aquelas mulheres muçulmanas com hijab ou niqab andando ou sentadas na praia no maior sol. E é até engraçado: uma russa com um biquíni fio-dental do lado duma islâmica de niqab…

Pela promenade, de Jaffa até a Ben Yehuda

Chegamos em casa cansados, demos uma dormida e saímos de noite para ver o movimento na Alenby. Aliás, passando pela Ben Yehuda, sentido sul, vimos muitas lojinhas de arte, com cada coisa legal. Recomendo muito. A noite íamos procurar um barzinho na Alenby, mas a vibe tava muito estranha: todos os pubs ainda em clima de pré-aquecimento, mas uma juventudo muito pilhada. Outros lugares tinham uma cara de ‘pouco família’, para não dizer outra coisa. Abortamos a missão e fomos passear pela praia, que tinha uma lua minguante bem bacana. Ficamos impressionados com as manobras radicais dos aviões para aproximar do aeroporto Ben Gurion. Eles chegam do norte, fazem uma puta virada radical sobre o mar e embicam já bem baixo com o trem de pouso pronto. Tenso.

Para fechar a noite, achei um sushi filipino em frente ao nosso apê. Mas a atendente era meio burralda e, em vez de me dar um temaki de salmão skin, me deu um maki de atum com abacate e gergelim. Isso depois de se negar a me dar o troco… Burralda mesmo, tomou um pito da chefa. Mas eu tive que comer a porcaria filipina de abacate. A tapada foi misturar japonês com inglês, azedou meu jantar. Mas não há de ser nada. Cumprimos a meta financeira do dia, US$ 100 para 2 pessoas, vimos um bocado de coisa e amanhã ainda vai dar praia. Melhor, só se eu entendesse hebraico. Mas aí é querer demais.

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Adeus a Istambul e... detidos na chegada a Telaviv

Hora de deixar a Turquia. Em vez de pagar de novo os 25 euros que o hostel cobrava de transfer, reservamos um em uma das dezenas de agências de turismos espalhadas por Sultanhamet. Custa 5 euros por pessoa, é uma bela van confortável, que vai pegando outros passageiros pelo caminho. Por isso, reserve com alguma folga no horário para seu voo – até o aeroporto Ataturk demora uns 45 minutos, sem trânsito e, se for Sabiha, demora quase o dobro. Vale a pena!

No adeus ao albergue Big Apple, em Istambul Tabela de voos no aeroporto de Istambul. Olha Telaviv lá...

Ao chegar no aeroporto Ataturk, um raio-x para entrar e outro depois do controle de passaporte, para entrar no avião. É um dos aeroportos mais bonitos e maiores que já vi. Um universo. Nosso voo é altamente visado, aliás: Istambul – Tel Aviv, talvez por isso a segurança extra. Estava lotado e bem dividido entre russos, turcos, israelenses e americanos.

Vista para a pista em Ataturk. Um mundo de aviões. Da Turkish, claro

Chegar no aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, é uma experiência sui generis. É um dos mais importantes e com o nível de segurança mais alto dentre todos. Afinal, trata-se do coração de Israel, junto com EUA e Rússia, forma a trinca de países mais odiados do mundo. Por dentro, é lindo, com rampas suntuosas, enorme shopping, espaço de sobra e soluções arquitetônicas bem bonitas. Eles têm um sistema de controle de passaporte automático para cidadãos cadastrados: basta passar o cartão e colocar a mão no sensor e você está liberado. Infelizmente, como turistas, não tínhamos isso.

Caminhando no aeroporto Ben-Gurion, em Telaviv. Olha o estilo. Mas depois...

Ficamos na fila comum e, ao chegar nossa vez, o policial antipático perguntou várias vezes o que fazíamos, quanto tempo ficaríamos em Israel e o motivo de nossa viagem. Aparentemente, não convencemos. Depois de alguns minutos, ele fez um telefonema e um outro agente veio nos recolhendo, junto com outros ‘barrados’ das outras filas. Fomos levados para uma salinha anexa ao hall dos controles de passaportes e lá ficamos esperando, com uma família de árabes, um romeno, uma russa, um aparente brasileiro e alguns africanos. Uma agente veio e nos chamou pelo nome, com os passaportes em mãos. Novamente, o que vocês fazem, o motivo da viagem e quanto tempo vão ficar aqui. Não convencemos, mais uma vez…

Ficamos quase uma hora ali, até que um agente, aparentemente sênior, nos chamou. Fomos para um canto do hall, destacados, onde ele nos mostrou a insígnia, se apresentou e perguntou, de novo, o que fazíamos, quanto dinheiro tínhamos, quanto tempo ficaríamos… Depois de um papo, ele relaxou, acho que percebeu o erro e explicou que procuravam gente que trazia droga para Israel. Talvez por eu ter carimbos de países como Peru, Colômbia, Turquia e algumas entradas para Europa, isso tenha chamado atenção deles.

Enfim, pouco mais de uma hora depois, fomos liberados. Corremos para pegar nossas malas, que já estavam paradas na esteira. Com o atraso, perdemos o trem e os ‘sherut’, ou vans, meios de transporte mais baratos para chegar ao centro de Tel Aviv. Já era hora do shabat, o sábado dos judeus, onde ninguém trabalha (comercialmente, começa no meio da tarde de sexta e acaba no início da noite de sábado). A solução era pegar um táxi.

E não poderia ter sido pior. Depois do voo, do estresse na alfândega e da tensão com as malas, ainda pegamos um taxista búlgaro-judeu malandrinho. O cara dirigiu um quilômetro, não ligou o taxímetro e, quando estava no trevo do aeroporto, avisou: serão 180 shekels. Mas a menina do ponto já tinha avisado que a corrida custaria 130. Discute daqui, discute dali, fechamos em 150. Mas avisei, já irritado, que iria querer um recibo. Vai roubar, rouba oficial. Depois de cerca de 40 quilômetros, chegamos ao nosso apê. Paguei 200 shekels e ele, com cara de trouxa, me devolveu 70 de troco e perguntou se eu ainda queria o recibo. Disse que sim e ele me deu. Ladrãozinho amarelou…

Mais um perrengue: como era shabat, o staff da recepção tinha se mandado. Tivemos que descobrir como ligar para o cara e desenrolar para ver onde ele tinha escondido a chave. Sisi andou até um cofre, onde o cara deu a senha e ela abriu. Pegamos nossa chave e, enfim, apê. Chama Sea-Land, fica num ponto ótimo da Ben Yehuda, uma das avenidas paralelas à praia com restaurantes, mercados, lojas de arte, enfim, um ótimo ponto.

Baixamos as coisas e fomos andar. Pegamos a promenade – o calcadão – e fomos bastante para norte. A primeira impressão é: Tel Aviv é uma cidade bem jovial e liberal. Muita gente correndo, curtindo o iniciozinho de noite, o pôr-do-sol… Não achei muito lotada de turistas. A exceção dos milhares de russos que passeiam por aqui, a maioria é a população cosmopolita da cidade, composta por gente de todo o mundo.

Pôr-do-sol na praia em Telaviv. O sufoco valeu a pena Pôr-do-sol na praia em Telaviv. O sufoco valeu a pena

Destaque para uma espécie de frescobol que os caras jogam por aqui, numas áreas previamente delimitadas. Minha amiga Lior explicou que chama ‘matkot’, ou ‘raquetes’, em hebraico. São dois patacos de madeira, em forma de raquetes, obviamente, e uma bolinha que parece uma pedra pequena. Os dois ficam trocando pancadas e o objetivo é não deixar a bola cair. Meio grosseiro e faz um barulho chato, mas é a maior moda aqui, conhecido como o esporte nacional… Achei um videozinho no youtube, pra você ver como é:

Eu imaginava Tel Aviv como uma cidade muito louca, mas é bem capital. Muitos sotaques, e muito mais hebraico do que eu imaginava. Antes, eu pensava que aqui se falasse inglês em todo canto, mas fiquei um pouco desapontado. Recebi muitos ‘eu não falo inglês’ por aqui. Achei o russo muito, mas muito mais util aqui, e foi com essa língua que me virei bastante.

Depois do passeio noturno, fomos procurar um mercadinho aberto para comprar a janta, já que o apê tem uma minicozinha. Achamos um, em pleno shabat, tocado por…russos. Compramos uns trecos, fizemos a janta, planejamos o dia seguinte e fomos dormir.

Dicas do dia:
- Reserve um transfer comunitário no bairro Sultahmet, em Istambul, até o aeroporto (Ataturk é mais perto, Sabiha é bem longe). E saia cedo!
- Tenha paciência no aeroporto da Turquia. Os infinitos procedimentos de segurança são para nosso bem
- A comida no aeroporto turco é cara. Coma antes ou leve alguma coisa
- Paciência triplicada no Ben Gurion, em Israel. Se for detido, mantenha a calma. E tenha todos os documentos em mãos
- Evite chegar no sábado ou na sexta-feira a partir do meio-dia a Israel
- Taxistas são bem malandros em Israel. Evite. Se não puder evitar, exija sempre o taxímetro.
- Uma corrida do Ben Gurion até o centro de Telaviv dá uns 130 shekels. Até Jerusalém, um bocado mais.
- Curta um pôr-do-sol na praia, em Telaviv

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Arqueologia, Ayasofya, cisternas e passeio noturno

Hoje o dia em Istambul começou com uma visita ao Museu Arqueológico. É incrível que uma dica boa às vezes pode suplantar dezenas de opiniões negativas. Explico: apenas uma menina, de um blog que não lembro, disse que o Museu era interessantíssimo, enquanto dezenas de outras pessoas garantiram que o museu era insuportável. Pois é. Fomos teimosos e a cabeçadurice se pagou. O museu é incrível, muito legal mesmo.

Entrada do Museu Arqueológico Entrada do Museu Arqueológico

Ele fica ali mesmo, em Sultanahmet, do ladinho do Palácio Topkapi. É baratinho, grande e tem muita coisa legal. Outro que recomendo ir bem cedo, já que, vira e mexe, ele é visitado por aquela excursões de alunos de escola, que fazem a maior algazarra. O museu também tem seções organizadas por mapas históricos, norteando a visita pela evolução da Turquia ao longo dos séculos. E tem cadeiras e sofás ótimos para descansar… Ah, uma ótima dica: na lojinha do museu tem ótimos souvenires. E com preços justos. Compramos uns cafés turcos vendidos numa latinha estilosa. Muito legal!

Parede no Museu Arqueológico com motivos árabes Dentro da sala de motivos árabes do Museu Arqueológico

Um dos mihrabs, o altar islâmico virado para Meca

Dali, fomos visitar o interior da Ayasofya, finalmente. E vou contar uma coisa para vocês… É um dos lugares mais bonitos do mundo, com um interior absolutamente luxuoso, combinando estilos com o que há de melhor entre duas das maiores religiões do mundo: o catolicismo e o islamismo. Aquelas placas em árabe, onde se lê ‘Mohammed’ e ‘Allah’ são impressionantes.

Movimento dos turistas dentro do templo-museu Detalhes dos lustres

 

Canto do altar Vista para os afrescos sobre o altar (e o mihrab)

 

Detalhe do lustre Mais uma vista para a nave principal da Ayasofya

A iluminação do templo também é impressionante. Os lustres e as frestas por onde a luz do dia entra fazem parecer que a Ayasofya está flutuando. E tudo ainda está mais ou menos como quando foi construída, no século VI. Isso mesmo, coisa de 1.500 anos atrás… Dá pra acreditar? Aliás, originalmente, Hagia Sophia quer dizer ‘Santo Conhecimento’. O link com Santa Sofia eu sinceramente desconheço. Mas agradeço opiniões. Também acho legal a forma com que os muçulmanos não destróem outros templos. Eventualmente, botam um mihrab (uma espécie de altarzinho apontado para Meca), uns adornos islâmicos e pronto. Temos uma mesquita.

E os lustres da nave principal do templo? As placas onde se lê 'Alá' e 'Maomé'

Olha o tamanho disso... Foto da foto dentro do salão principal da Ayasofya

Ah, e na Ayasofya, no segundo andar, tem uma coisa interessante. O que seriam uns rabiscos no mármore com centenas de anos, feitos por ‘visitantes’ vikings. O que prova que o vandalismo não é exclusividade de nosso tempo…

Sala da Ayasofya
Bom, depois de ficarmos muito tempo na Ayasofya, a próxima parada eram as Cisternas Romanas, que também ficam bem ali em Sultanahmet. Aliás, espero que vocês tenham notado a quantidade de coisas legais nesse bairro. Fora as outras que não falei…

Atravessei a pracinha e lá estava, na entrada das Cisternas. Outra coisa que recomendo fazer cedo do dia. E levar um casaco. Sem exagero, lá dentro é úmido e frio como o cão. E já entre preparando a máquina. A escadaria já dá um panorama meio macabro, meio encantador, da visita. Pilastras romanas, uma água clarinha, pingos caindo por todo canto… Muito legal mesmo caminhar pelas passarelas de madeira e notar os detalhes, como os peixes, as rachaduras nas pilastras. Afinal, a Cisterna Basílica – como ela é conhecida – é a maior e mais antiga sob Istambul. Foi construída no século VI, também sob o domínio bizantino de Justiniano, e fica 150 metros debaixo da terra.
Vista da entrada da Cisterna Romana Pilastras da Cisterna Romana

Uma coisa legal ali é, no finalzinho da passarela de madeira, a sala com as cabeças das medusas. Muito macabro aquilo. Uma das esculturas está de ponta-cabeça, enquanto a outra aponta para o norte. E ninguém sabe explicar isso. Bom, sobre o mistério, eu não sei, mas que rendem ótimas fotos, rendem. Assim como toda a Cisterna. Mais um lugar espetacular de Istambul.

Cabeça da medusa virada de ponta-cabeça Medusa com a cabeça virada a 90º

Sala com as cabelas das medusas

Dali, bom, eu me arrependi de não ter comprado uma camisa oficial do Fenerbahçe na loja da Adidas na Istiklal. Hoje era o dia de acabar com esse arrependimento. Consultei a galera do hostel, que me disse que seria fácil comprar numa lojinha em Beyazit, numa praça que tem ali. Se eu quisesse, poderia escolher entre as lojas do Besiktas ou do Fener. Optei pelo mais popular, claro. E as camisas oficiais lá são baratas, cerca de 80 liras, o que dá 80 reais. Não tinha como perder essa né?

Durante o passeio noturno de bonde

Voltei para o hostel e cruzei a pracinha Sultanahmet mais uma vez. O que eu não mencionei ainda foi o cheiro duma noz que eles vendem muito por lá. Além do treco ter uma aparência bem bizarra, o cheiro é insuportavelmente enjoante. Parada de passar correndo ou então avistar uma carrocinha e mandar nosso GPS interno recalcular a rota. Se não dava para sentir o cheiro, que dirá comer…

E os inesquecíveis doces turcos

Como ainda tínhamos jetons sobrando do ‘dia em que o bonde parou’, resolvemos dar uma volta noturna no metrozinho de superfície. Pegamos ali mesmo, na tradicionalíssima Sultanahmet e demos um belo rolé turístico pela cidade. Atravessamos a ponte, vimos a torre, o Bósforo… Enfim, um bocado de coisa legal. E de noite! Para voltar, moleza: atravessamos a rua e estávamos no outro lado da passarela.

Compramos um monte de doces na Çiğdem e fomos numa espécie de buffet que tem ali mesmo na praça, com umas comidas malucas turcas. Aquele arroz que eles fazem lá – é o bismati? alguém sabe? – é muito bom. Passei a draga no buffet e enchi o prato. Claro, regado à boa cerveja Efes. Não sei como, mas ainda consegui comer os baklavas. Pena que não tem isso aqui no Brasil…

Dicas do dia:
- Não perca o Museu Arqueológico, não importa o que te falem. E chegue cedo!
- Ayasofya: deixe para o fim da viagem. Se for no início, o resto perde um pouco da graça…
- Leve um casaco para as cisternas romanas. E uma lente para fotos noturnas.
- Dê uma volta de bonde à noite. Custa só o preço do jeton. Vá até o final e volte. Não tem erro!
- Comida turca: prove tudo. Vale a pena!

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Enfim, o Grand Bazaar. E ainda teve a Torre Galata

Hoje, enfim, faríamos um passeio muito esperado: conhecer o famoso Grand Bazaar, um dos maiores e mais velhos mercados fechados do mundo. Para isso, precisaríamos acordar cedo, vencer a chuvinha chata que insistia em cair, além de andar uns belos 40 minutos, de nosso hostel até lá.

Após um café bem honesto no Big Apple, com pão, geléias, frutas, queijo, azeitonas e uns sucos estranhos, partimos. Algum tempo depois, mesmo um pouco molhados, achamos um dos quatro portões que levam ao seu interior. E que interior… Fundado no século XV pelo sultão Mehmet, ele tem 60 ruas, mais de 5 mil lojas, duas mesquitas, quatro fontes, dois hamams e pode atrair até 400 mil visitantes por dia. Enfim, um mundo de compras onde você pode se perder facilmente…

Uma das entradas do Grand Bazaar Locais onde os islâmicos lavam os pés para orar - a ablução

Apesar de ser impressionante, muito bonito e divertido, o Grand Bazaar não é, na minha opinião, o lugar para fazer boas compras em Istambul. Mas isso não quer dizer que você não deva faturar nada. Aliás, o ritual de compra, da pechincha até o fechamento do negócio, pode ser bem divertido. Vale pela experiência. O que é legal aqui é ver, fotografar e fazer um passeio pela história desse país, que ficou conhecido no mundo pela fama de seus comerciantes. Um grande barato. Não literalmente…

Uma das ruazinhas do Grand - repara nas pilastras Dentro Grand Bazaar, tem ainda o Velho Bazaar, só com jóias

Começando a negociação pelos lustres coloridos e inquebráveis... Enquanto as damas negociam, eu invento fotos...

Depois de mais um almoço com kebab, ali mesmo no nosso tradicional point do kebab, pertinho do Grand Bazaar, seguimos para o hostel e deixamos as compras. O próximo destino seria a Torre Galata, no bairro de mesmo nome, do outro lado da ponte. Pegamos o bonde T-1, sentido Kabatas, até a estação Karakoy. Já no ponto você tem uma boa vista da Torre. Basta seguir as placas – ou o fluxo de turistas – que você, depois de umas ladeiras, chega lá. Também dá para chegar lá descendo a Istiklal, a rua principal de Taksím.

Entre as ruelas de Galata, de repente aparece a Torre Estiloso elevador da Torre Galata

Ali, você compra um bilhete e sobe num estiloso elevador. Lá em cima, um estiloso restaurante café e uma espetacular vista para toda a cidade, do alto do deck de observação da Torre. Dá para ver dezenas de minaretes das mesquitas, o fluxo do Bósforo, as casinhas, a parte alta, enfim, uma deslumbrante vista, mesmo num dia não muito bonito como hoje. Outro local para tirar umas fotos e ficar depois ali, curtindo a paisagem. E depois tomar um café comendo um biscoitinho em forma de torre dali…

Vista do alto da Torre Galata Vista do alto da Torre Galata

Depois da Torre, demos uma andada pelo bairro, que tem umas lojas de artistas bem legais. Aliás, aqui tomamos um sucão de laranja por 1,5 lira – o mesmo custa 5 liras em Sultanahmet. Todo castigo para turista trouxa é pouco… Seguimos caminho e atravessamos a ponte Galata por baixo, onde tem o que parecem ser excelentes restaurantes de frutos do mar. E os preços nem eram tão caros. Novamente, num dia bonito, acho que valeria muito a pena ficar ali e curtir o pôr-do-sol.

Um restaurante chique, visto do alto da Torre

E aqui a foto da foto. Essa saiu melhor... Um dos biscoitinhos estilosos, no café da Torre Galata

Como não estávamos nem com fome, nem com disposição de encarar a chuva e vento frio dali, seguimos adiante, onde encontramos um enorme mercadão numa das passarelas subterrâneas da ponte. Ali sim, coisas baratas. Camisas, imãs, badulaques, tudo pela metade – senão um terço – do preço do Grand Bazaar. Compramos um bocado de coisas, com uma certa dificuldade, já que ali ninguém falava inglês.

Ao sairmos do outro lado, tentamos pegar o bonde. Mas o jeton – moedinha de plástico que dava acesso à plataforma – não funcionava. Aliás, plataformas cheias, nada de bondes, tem algo errado… Após uma espera de alguns minutos, soubemos que havia acontecido algum problema na rede e os bondes não circulariam por um bom tempo. Deixamos a estação e tentamos pegar um táxi, mas aí entra a malemolência do turco malandrão. Com pouco transporte e muito passageiro, ninguém queria ir no taxímetro. Uma corrida de 5, 10 liras, iria sair por 40. Como não estávamos tão longe, resolvemos ir andando mesmo.

E até que foi legal. Vimos a rua onde só tem coisa de arquiteto, um genérico turco do Burger King e umas ruazinhas bem legais. No caminho, comi mais um kebab e passamos mais uma vez na Çiğdem, onde refizemos nosso estoque de baklavas e doces turcos. Como já era tarde, fizemos ainda um pit stop no mercadinho em frente ao hostel e encerramos os serviços.

Dicas do dia:
- Passeio pelo Grand Bazaar (ele fecha aos domingos e, diariamente, por volta das 17h, 18h)
- Andar de bonde e ver um pouco da rotina dos turcos
- Torre Galata e visual da janela do café na torre
- Compras no mercadão da passarela subterrânea na Ponte Galata
- Suco de laranja baratão em Galata

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